HUMANIDADES
Marco Aurélio Nogueira
Os jovens que procuram as Ciências Humanas caracterizam-se pela vontade de compreender criticamente o mundo em que vivem e a grande aventura que é a experiência histórica da Humanidade. O Homem é a meta a ser atingida, o complexo a ser desvendado, com seus problemas e progressos, suas vitórias e derrotas, nas diferentes dimensões que constituem seu desenvolvimento no tempo e no espaço: a social, a individual, a política, a cultural, a econômica, a organizacional, a artística. Quem atua na área costuma estar sempre interessado em desencadear mudanças, correr riscos, resolver problemas e dificuldades, construir consensos, diálogos e aproximações entre os que são diferentes ou que pensam diferentemente.
É à compreensão do mundo – grande, complexo, complicado, surpreendente, repleto de nuances e dimensões que não se deixam entrever de imediato – que se dedicam os profissionais das Ciências Humanas. Ao agir para isso, ao interrogar a realidade sociocultural, eles também investigam a si mesmos, o que certamente acrescenta uma dose extra de dramaticidade e paixão a tudo aquilo que fazem e elaboram.
Sua atuação é bastante diversificada e aberta, fato que lhes dá alguma vantagem comparativa perante os demais profissionais, que tendem a agir de modo mais focado e especializado. Para se beneficiarem dessa vantagem comparativa, porém, os profissionais em questão precisam possuir recursos culturais e intelectuais abrangentes e gostar de tudo o que diga respeito às letras, às artes e ao pensamento. Eles não podem ser excessivamente especializados. Devem funcionar mais como articuladores de saberes do que como “aplicadores” de conhecimentos.
As grandes áreas de atuação do profissional das Humanidades são o ensino, a pesquisa, a editoração, o jornalismo, a assessoria em planejamento, recursos humanos e comunicação, o rádio e a televisão, o cinema, a música e o teatro. Com as rápidas inovações científicas e tecnológicas dos dias atuais, novas frentes de trabalho despontam o tempo todo. Na sociedade mutante em que vivemos, faz-se sempre mais necessária a presença de profissionais capazes de fornecer explicações abrangentes, parâmetros explicativos e insights analíticos. O cientista social – o sociólogo, o cientista político e o antropólogo –, em particular, também é importante na assessoria parlamentar, no planejamento e acompanhamento de campanhas eleitorais, na formulação e implementação de políticas públicas, na avaliação do desempenho governamental.
Nas Humanidades, vale muito a regra: o profissional bem formado, que em sua trajetória acadêmica reteve e consolidou habilidades e recursos intelectuais abrangentes, tem poucas chances de se dar mal no mercado. O sucesso depende dele, antes de tudo. E, claro, de um pouco de sorte e oportunidade.
Marco Aurélio Nogueira é bacharel em Ciências Políticas, doutor em Ciências Políticas, pós-doutor pela Universidade de Roma, Itália, e livre-docente pela UNESP. É professor da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, câmpus de Araraquara, e professor do Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP, PUC-SP e Unicamp) e articulista do jornal O Estado de S. Paulo.